03 Do zero · Mercado tradicional · Estados Unidos

O S&P 500

O índice mais citado do mundo é uma receita — e quem conhece a receita entende por que ele pode subir num dia em que a maioria das ações caiu.

Fêr UlianovAbertura · 18 s

A frase
O S&P 500 fechou em alta, puxado pelas maiores; o índice de peso igual caiu na sessão.

Embaçada de propósito. Ela parece uma contradição. Não é.

O que é um índice

Uma receita, não um lugar

Na aula passada ficou a regra: bolsa é lugar, índice é número. Agora o número. Um índice é uma receita com três passos, e toda a diferença entre um índice e outro está em como cada um executa esses três passos.

O resultado é um número só. Ele não tem unidade — não são dólares, não é porcentagem. Sozinho não quer dizer nada; o que interessa é o quanto ele mudou desde ontem, desde janeiro, desde dez anos atrás.

1

Escolher

Quais empresas entram na conta. Aqui os índices já divergem: algumas listas seguem regra automática, e a do S&P 500 não.

2

Pesar

Quanto cada empresa conta dentro do número. É o passo que quase ninguém conhece, e é o que explica a frase da capa.

3

Somar

Juntar tudo num número e acompanhar como ele muda. O valor absoluto não importa: importa a variação.

Trocar qualquer um dos três passos produz um índice diferente com as mesmas empresas dentro. É exatamente o que acontece entre o S&P 500 e a versão de peso igual dele.
Passo 1

Não são as quinhentas maiores

Esta é a primeira surpresa: ninguém entra no S&P 500 só por ser grande. Quem escolhe é um comitê, na S&P Dow Jones Indices, e a decisão é humana. Existem índices de regra automática — a família Russell é assim — mas este não é um deles.

O comitê trabalha dentro de critérios públicos. Passar em todos não garante entrada; reprovar em um garante a exclusão.

Para ser elegível
  • Ser uma empresa americana, listada na Nyse, na Nasdaq ou na Cboe.
  • Valor de mercado acima do mínimo — US$ 22,7 bilhões, desde 1º de julho de 2025. O piso sobe de tempos em tempos.
  • Lucro positivo no trimestre mais recente e na soma dos quatro últimos trimestres.
  • Ações suficientes em circulação livre, e negociação suficiente: pelo menos 250 mil ações por mês nos seis meses anteriores.
O critério do lucro é o que mais elimina candidatas. Uma empresa enorme que ainda não lucra fica de fora — e é por isso que uma companhia pode valer centenas de bilhões e não estar no índice.
Quinhentas empresas, 503 papéis

O índice se chama 500 e tem mais de 500 linhas, porque três empresas entram com duas classes de ação cada uma: Alphabet, Fox e News Corp. É a aula 01 voltando — GOOGL vota, GOOG não, e as duas estão no índice.

Passo 2

O peso vem do tamanho, e é aí que mora a frase

No S&P 500 cada empresa conta na proporção do que ela vale — o valor de mercado da aula 01, ajustado para considerar só as ações que circulam livremente. Uma empresa que vale dez vezes mais que outra pesa dez vezes mais no número.

A consequência é aritmética, não opinião: as maiores mandam. Se um punhado de gigantes sobe bastante e todo o resto cai um pouco, o índice sobe. Arraste e veja a conta acontecer.

Peso pelo tamanho
ABCDEFGH
Peso igual
ABCDEFGH
As duas maiores
As outras seis
Índice por tamanho
Índice de peso igual

Oito empresas no lugar de quinhentas, e as proporções exageradas de propósito para a conta caber na tela. A mecânica é a mesma: peso proporcional ao tamanho de um lado, peso idêntico do outro. Empresas e números fictícios.

A versão de peso igual existe de verdade e é publicada pela mesma casa. Tem as mesmas empresas do S&P 500, cada uma com cerca de 0,2% — e é reequilibrada quatro vezes por ano, senão as maiores voltariam a dominar sozinhas.

Comparar os dois é o truque mais barato que existe para saber se uma alta é do mercado inteiro ou de meia dúzia de empresas. Quando eles discordam, a distância entre os dois é a notícia.

O que ele não mede

Um índice de ações não é a economia

É a confusão seguinte, e ela aparece em toda eleição: o S&P 500 subir não quer dizer que o país está melhor. Ele mede empresas grandes, listadas em bolsa, americanas — e uma parte enorme da economia não é nada disso.

Fica de fora tudo o que é pequeno, tudo o que é de capital fechado, e todo o resto do mundo. E, por ser ponderado pelo tamanho, ele descreve o que aconteceu com o dinheiro investido, não com a empresa média.

Uma frase para guardar

O índice responde “como foi para quem tem dinheiro aplicado nestas empresas”. Ele não responde “como foi para as empresas”, nem “como foi para as pessoas”. São três perguntas diferentes, e só a primeira tem esse número como resposta.

A prova

Agora leia a frase

É a mesma do começo, sem o embaçado. Toque em cada parte destacada.

O , ; o na sessão.
Comece por aqui

Cinco pedaços

Cada parte destacada esconde um conceito. Toque em uma delas.

Cinco toques e a frase acabou.

Você já sabe responder

Se entendeu isto, a aula cumpriu o que prometeu

  • Um índice é uma receita: escolher, pesar, somar.
  • O S&P 500 não são as quinhentas maiores — um comitê escolhe, com critérios públicos.
  • O peso de cada empresa vem do tamanho dela, e por isso poucas gigantes movem o número.
  • Índice comum subindo e peso igual caindo quer dizer: a alta foi de poucos.

Fêr UlianovFecho · 21 s

Material educativo. O índice de oito empresas é um exemplo, com números fictícios e proporções exageradas para a conta caber na tela. Os fatos sobre o S&P 500 — quem escolhe, os critérios, a ponderação e a versão de peso igual — são de metodologia publicada, e não mudam com o pregão. Não é recomendação de compra ou venda.